segunda-feira, 27 de maio de 2013

HINO A SÃO GONÇALO: acalanto por uma cidade violentada!


“São Gonçalo, cidade mui singela
  Erguida nos encantos de aquarela,
  Namorada de nós, os gonçalenses,
  Cidade que cresce dia a dia
(...)
Teu passado, cidade, foi honroso
  Teu futuro será maravilhoso...”

(Trechos do Hino a São Gonçalo
 Letra do professor Geraldo Lemos)


     Lindo hino!

     Belas aspirações!

     Nosso professor Geraldo Lemos, orgulho vivo de nosso município, é um excelente poeta, mas deixa a desejar como visionário. E por isso, tenho que fazer o “mea culpa”: há anos atrás, eu o recriminei porque ele achava que o Hino a São Gonçalo não mais correspondia ao que a cidade se tornara. E chegou a pedir ao Legislativo Gonçalense que desconsiderasse sua poesia como letra do hino, no que foi ignorado. E hoje quero me desculpar e pedir ao meu amigo Geraldo que rasgue aquela minha redação, censurando por sua atitude de protesto. Mais do que isso, junto-me ao seu protesto, lutando com ele para que as aspirações contidas em sua bela poesia não se desmanchem nos atos dos maus políticos.

     A “Manchester Fluminense”, Geraldo, não existe há muito tempo! Somos cidade-dormitório! Se você me permite, eu trocaria o verso “cidade que cresce dia a dia” por “cidade que incha dia a dia”.

     Vejamos, pois:

     Somos o segundo Colégio Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro. Todo mundo vem pedir voto aqui, não obstante o partido. Mas o que nos dão em troca, meu querido amigo?

     Num governo aí pra trás, colocaram a ufanista placa: “A refinaria é nossa!”. Mas não somos Itaboraí. Disseram que São Gonçalo seria o Centro de inteligência do Comperj... cadê? O Governo do Estado prometeu barcas ligando São Gonçalo ao Rio, para desafogar o trânsito... alguém viu? Inúmeras eleições, políticos se dando bem com a promessa da Linha 3 do Metrô, que não serviria só a nós, mas a niteroienses e itaboraienses... o Rio já tem a linha 4 em andamento e nós não podemos nem sonhar com a 3. Baita desrespeito com a ordenação matemática. Baita desrespeito com a lógica. Baita desrespeito com o povo amontoado nos ônibus lotados e lentos. Os “dormidores” de São Gonçalo precisam acordar cedo para enfrentar horas de condução para a Cidade Maravilhosa. Com sorte, dormem um pouquinho no Rio, um pouquinho em Niterói, até chegarem à casa.

     São Gonçalo perdeu um quartel do Exército, um Batalhão da PM em Neves, o Batalhão Florestal, o Palacete do Mimi... mas ganhou dois presídios, mais um lixão travestido em aterro que nunca foi – e que carinhosamente recebe o lixo de todas as cidades do entorno. Herdou a bandidagem das UPPs e ainda é candidata “hors concours” a receber todos os desabrigados existentes em Niterói e até em outras cidades.
Na (des)administração passada, contrariando a Constituição Federal e o Código Civil, teve uma praça vendida – a Carlos Gianelli, no Alcântara – para empresários de ônibus e de shopping. Rasgaram a Carta Magna em nome do progresso – próprio, é claro!

     Se não estivesse “sub judice”, a Fazenda Colubandê, um dos mais notáveis patrimônios históricos, arquitetônicos, culturais e paisagísticos da cidade, já estaria nas mãos do “Minha Casa, Minha Vida”, que não deveria se parecer com um trator de destruição do patrimônio do povo.

     E agora a área histórica, cultural, arquitetônica, paisagística e ambiental do antigo 3º BI está ameaçada!
Servindo de morada aos desabrigados da enchente de 2010, que causou o desmoronamento do Morro do Bumba, esse patrimônio vivo, encravado no útero gonçalense, está sendo usado para abrigar os de Niterói. Querem fazê-lo de casas populares com o objetivo de desconstruir de forma torpe e vil a nossa história. Mas ninguém pensa em usar o maravilhoso patrimônio para melhorar a segurança do Município, com mais de um milhão de habitantes “dormidores” em sua maioria, para que se fixem aqui. Não pensam em aumentar o efetivo da PM, em criar um novo batalhão, em melhorar as delegacias, em criar postos de saúde, bibliotecas, teatros, museus, escolas técnicas, área de lazer... nada! Amontoar desabrigados ali, sem Estudo de Impacto Ambiental, sem levar em conta os recursos hídricos existentes na área e que precisam de preservação, é o objetivo. Oferecerão inundação aos que já sofreram com inundação.

     São Gonçalo não precisa continuar dormindo e nem está de olhos fechados.

     O morador de São Gonçalo é humano, mas os gestores de Niterói e do Estado também precisam ser.
Procurem outras áreas para abrigar, com respeito, os que sofreram com a perda de suas moradas. Mas não destruam o pouco que sobra do município, para que ele possa ressurgir das cinzas em que se torna ante as ações eleitoreiras dos maus políticos, todos os dias.

     Enfim, respeitem São Gonçalo e deixem o Hino cantar a verdade há muito aspirada!


Frederico Carvalho é professor, comunicador, diretor da TV Ponto de Vista (www.tvpontodevista.com.br), presidente da Comissão do Centenário do Prefeito Joaquim Lavoura,  Ex-presidente do Rotary Club de São Gonçalo e atual Presidente da União dos Jornalistas e Comunicadores de São Gonçalo (UNIJOR-SG)

Nenhum comentário:

Postar um comentário